quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Crise na saúde se agrava em Pernambuco

Pacientes aguardam no corredor do Hospital Getúlio Vargas / Diego Nigro/JC Imagem

O enxugamento de gastos do governo estadual, na esteira da crise econômica que sacode o País, chegou ao bem mais valioso da população: a saúde. Em algumas das maiores unidades hospitalares do Estado, faltam medicamentos e até utensílios para procedimentos simples. Funcionários com salários atrasados, cirurgias desmarcadas e falta de estrutura para pacientes e acompanhantes completam o quadro desanimador da saúde pública em Pernambuco. 



No Hospital Getúlio Vargas, bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, são cerca de 40 cirurgias eletivas canceladas todos os dias por falta de materiais como gaze e compressas. “Trabalho aqui há 40 anos e confesso que nunca vi o hospital nessa situação”, conta um enfermeiro, que não quer se identificar, referindo-se ao corte de recursos. “E os gestores ainda aparecem por aqui para pedir economia. É inacreditável”.

No Hospital Otávio de Freitas, no bairro do Sancho, também na Zona Oeste, o cenário não é diferente. Uma funcionária terceirizada conta que já são três meses de atraso de salário e quatro no tíquete-alimentação. “O pior é que ninguém dá notícia sobre quando vai sair, e a direção ainda ameaça nos demitir se formos reclamar pelos nossos direitos”, diz.


Os vigilantes do Otávio de Freitas também estão com salários atrasados em três meses e não sabem a quem recorrer. “Recentemente, fizemos uma cota para pagar a pensão alimentícia do filho de um colega nosso. Ele chegou a ser preso porque não tinha o dinheiro para cumprir com o compromisso. Mas como teria, se não recebe no trabalho?”, indaga.
A crise na saúde fez aumentar o número de reclamações à Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). De empresas fornecedoras de medicamentos a terceirizadoras de serviços, muitas têm procurado o órgão com a finalidade de receber valores devidos pelo Estado. “A crise não interfere no nosso papel de cobrar a oferta de serviços do Estado ao público”, explica a promotora Ivana Botelho. “Ainda não houve uma resposta oficial do governo admitindo que falta dinheiro”, completa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário