terça-feira, 23 de maio de 2017

De cada 10 possíveis doações de órgãos, quatro são frustradas por negativa familiar, diz governo de PE

40% dos possíveis transplantes deixam de acontecer por proibição da família (Foto: Ascom/Hospital Escola de Itajubá)

De cada dez possíveis doações de órgãos em Pernambuco, quatro são frustradas por causa da negativa familiar, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES). No Brasil, não há documento que autorize previamente a doação e, por isso, as famílias precisam permitir o procedimento quando ocorre a morte encefálica do paciente. Atualmente, no estado, há 1.179 pacientes na fila de espera por um órgão ou tecido.
As informações foram repassadas nesta terça-feira (23), em virtude do lançamento da campanha estadual de incentivo à doação de órgãos. A data foi marcada por evento ocorrido na Base Aérea do recife, na Zona Sul do Recife. Houve homenagem às equipes da Força Aérea Brasileira (FAB), que têm auxiliado no transporte de órgãos para o Estado.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, entre os principais motivos para a negativa familiar está o desconhecimento sobre a morte encefálica, que é a perda irreversível das funções do cérebro. Além disso, há dúvidas sobre a integridade do corpo após a doação.

Dados

O transplante de rim é hoje, no estado, o procedimento mais concorrido. São 805 pacientes à espera do órgão. Pernambuco também tem 259 pessoas na fila da cirurgia de córnea e 66 aguardando um fígado. Trinta e sete doentes precisam de medula óssea, nove necessitam de coração e três lutam para conseguir rim e pâncreas.
Entre janeiro e abril deste ano, foram realizados 553 transplantes. O quantitativo é 20,22% maior que o mesmo período de 2016, quando houve 460 procedimentos.
O maior percentual de aumento foi no número de corações transplantados, que saiu de 10 para 20. Também foram transplantados 304 córneas, 115 rins, 67 medula óssea, 41 fígados, 20 corações, 3 rim/pâncreas, 3 válvulas cardíacas e 1 fígado/rim.

Histórico

O estado registrou, em 2016, uma queda de 13,8% no número de doações de órgãos sólidos, em relação a 2015, quando foram realizados 516 procedimentos do tipo. A queda destoa da tendência de aumento registrada nos anos anteriores.
Houve um aumento no número geral de transplantes ao incluir os tecidos, a exemplo de córneas, medula óssea e válvula cardíaca. No total, foram 1.465 transplantes realizados, 8,7% a mais que em 2015, quando foram feitos 1.348 procedimentos.
Os transplantes de medula tiveram a maior diminuição entre todos os transplantes realizados no estado, caindo de 233 para 187, cerca de 20% a menos.

Força Aérea Brasileira

Dos 71 órgãos transportados em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB), 51 (73%) foram feitos com deslocamentos a partir de Pernambuco. A maioria dos órgãos saiu de Petrolina, no Sertão, além de Caruaru, no Agreste, e dos Estados da Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Sergipe e Alagoas. As Centrais de Transplantes de todo o Brasil também têm apoio das companhias aéreas, que fazem o transporte dos órgãos e tecidos em vôos comerciais, sem custo.
Entre junho de 2016 e abril de 2017, a FAB transportou para Pernambuco 30 rins, 21 corações, 19 fígados e um pâncreas. Dos 21 corações, nove foram transportados este ano. Isso representa 45% dos 20 corações transplantados no estado, este ano.

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