terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Novo cangaço" aterroriza moradores no interior do Estado


Baixo efetivo policial, armamento precário contraposto às armas de guerra usadas pelas quadrilhas e a sensação de impunidade impulsionam os crimes. Último caso foi em Sertânia

O alvo da investida era o cofre central da agência do Banco do Brasil / Foto: Reprodução/Blog Tribuna de Moxotó
O alvo da investida era o cofre central da agência do Banco do Brasil
Foto: Reprodução/Blog Tribuna de Moxotó
Talita Barbosa
“Parecia coisa de faroeste”, relatou o estudante João Henrique de Almeida, morador de Sertânia, no Sertão. A cidade foi o novo cenário do filme de terror que assusta moradores no interior do Estado, em um capítulo marcado por intimidação, violência e amadorismo. Na madrugada de ontem, 15 homens armados com fuzis e metralhadoras usaram dez pessoas como escudo para roubar uma agência do Banco do Brasil. Os bandidos tentaram explodir o cofre central com bananas de dinamite, mas não conseguiram levar o dinheiro.
“Eles entraram apavorados. Pareciam nervosos, falavam o tempo todo um para o outro que deviam fugir e era melhor desistirem. A gente nunca viveu algo assim por aqui”, relata um dos reféns que preferiu não se identificar. A investida aconteceu por volta das 3h. Durante a fuga, a quadrilha jogou explosivos em frente à cadeia da cidade e atirou oito vezes contra um veículo que se recusou a parar. O motorista não se feriu. Os suspeitos estavam encapuzados, com coletes de uma empresa de segurança e capas de chuva. 
Segundo a Polícia Militar, os reféns foram liberados após a tentativa frustrada de explosão ao cofre. Em nota, o Banco do Brasil afirmou que colabora com as investigações e “ainda não há previsão de normalização do atendimento na Agência Sertânia”.
Com esse, sobe para 252 o número de investidas violentas contra bancos em Pernambuco, de janeiro a outubro deste ano. As quadrilhas aterrorizam cidades antes pacatas praticando uma espécie de “novo cangaço”, em alusão ao grupo comandado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que impôs medo no Sertão nordestino até 1938, quando foi morto. Assim como ele, os bandidos fecham cidades pequenas, com baixo efetivo policial, próximas a rotas de fugas e distantes de possíveis centros de reforços. Essas condições, somadas ao armamento precário contraposto às armas de guerra usadas pelas quadrilhas e a sensação de impunidade, atuam como motores do aumento desse tipo de crime.

SEM AÇÃO

“Hoje temos mais uma agência danificada e não há mudanças nas ações de Segurança Pública. Enquanto o efetivo policial não aumentar nas cidades, principalmente no interior, vamos ver novos casos de violência. É como se tivessem nos jogado à própria sorte”, afirma o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários, João Rufino. A Secretaria de Defesa Social (SDS), afirmou que a ação frustrada dos assaltantes têm relação com o trabalho ostensivo das polícias, seja por meio de prevenção ou investigação.
Uma das alternativas das agências para tentar coibir as explosões é usar um dispositivo que mancha as notas quando o equipamento é danificado. De acordo com o Banco Central, o cidadão deve recusar notas manchadas de rosa. Quem sacar dinheiro assim deve procurar qualquer agência do banco e apresentar a cédula. O banco é obrigado a realizar a troca imediatamente.

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