quarta-feira, 23 de março de 2016

Em Pernambuco, políticos alegam que doações da Odebrecht foram legais e declaradas



odebrecht_sede_2Alguns políticos de Pernambuco se pronunciaram a respeito da citação na lista de possíveis repasses da Odebrecht, divulgada nesta quarta-feira (23). Dentre os 14 citados – no total, são 16, porém dois faleceram -, seis emitiram nota à imprensa explicando a doação oriunda de empreiteira investigada pela Operação Lava Jato.
Todos alegam que o repasse foi feito de forma legal, e as contas foram declaradas e aprovadas.
Apesar de citados nas planilhas, os nomes dos políticos e os valores relacionados não devem ser automaticamente considerados como prova de que houve dinheiro de caixa 2 da empreiteira. São indícios que serão esclarecidos no curso das investigações da Lava Jato.
A assessoria de comunicação do líder do Governo no Senado, Humberto Costa (PT), esclarece que, em 2012, quando o senador disputou a Prefeitura do Recife, não houve doação à sua campanha. “O que pode ter ocorrido – se efetivamente houve a doação – é que ela tenha sido feita diretamente ao PT Nacional”, diz a nota.
O deputado federal Daniel Coelho (PSDB) esclareceu que apoia as investigações da Lava Jato e alegou estar tranquilo por “não ter recebido absolutamente nada além do que foi declarado oficialmente no período eleitoral”.
Já os deputados Mendonça Filho (DEM) e Betinho Gomes (PSDB) declararam que todas as doações foram feitas de forma legal.
Por meio de nota, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto (PTB), alegou que recebeu da Odebrecht valores maiores do que os apontados na planilha, todos “devidamente declarados na prestação de contas”.
Confira as notas na íntegra:
HUMBERTO COSTA (PT)
A citação na planilha parece fazer menção às eleições municipais de 2012, nas quais o senador Humberto Costa (PT) disputou a Prefeitura do Recife. Como consta da prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral, não houve qualquer doação da Odebrecht à campanha de Humberto daquele ano. O que pode ter ocorrido – se efetivamente houve a doação – é que ela tenha sido feita diretamente ao PT Nacional, que repassou cerca de R$ 1,7 milhão para contribuir com a campanha do senador em 2012, conforme registrado na mesma prestação de contas.
Assessoria de Comunicação
ARMANDO MONTEIRO NETO (PTB)
O ministro Armando Monteiro Neto esclarece que recebeu contribuição da Construtora Odebrecht, para a campanha de 2014, em valor maior do que foi divulgado. Foram duas doações – R$ 500 mil e R$ 200 mil – devidamente declaradas na prestação de contas apresentada e aprovada Justiça Eleitoral.
DANIEL COELHO (PSDB)
Nota de Esclarecimento
Em primeiro lugar, quero aqui deixar claro que confiamos e apoiamos as investigações da Operação Lava Jato e a atuação do juiz Sérgio Moro. Tenho certeza esse processo irá esclarecer muito sobre a política brasileira.
Precisamos dar suporte para que as investigações continuem com independência e transparência. Que se investigue tudo, sobre todos, de todos os partidos.
A citação de meu nome, hoje, em uma das planilhas, sobre uma suposta entrega de recursos em maio de 2012 não muda minha opinião sobre a investigação.
Tenho a tranquilidade de não ter recebido absolutamente nada além do que foi declarado oficialmente no período eleitoral. Em maio de 2012 não havia sequer a confirmação de que eu seria candidato, como notícias veiculadas nos jornais do período podem comprovar.
Espero que as investigações prossigam com rapidez e tenho certeza de que nas delações que já foram anunciadas ficará esclarecido quem deu dinheiro, para quem e quem recebeu.
Quero deixar nosso eleitores, amigos e simpatizantes tranquilos de que continuarei cobrando a punição a todos os culpados. E diferentemente daqueles que têm culpa no cartório, não iremos atacar a imprensa, que está no seu papel de divulgar os fatos. Muito menos a justiça, que tem feito um excepcional trabalho.
O prosseguimento das investigações esclarecerá absolutamente tudo.
#EuApoioALavaJato #EuApoioMoro
Daniel Coelho, 23 de março de 2016
MENDONÇA FILHO (DEM)
Com relação à divulgação da planilha de doações feitas pela Odebrecht, o deputado federal, Mendonça Filho, esclarece que a sua campanha para prefeito do Recife em 2012 recebeu doação empresarial da Odebrecht de forma legal, repassada por meio das contas do Democratas, conforme prestação de contas feita à Justiça Eleitoral e disponível ao público. O deputado destaca, ainda, que é importante separar a doação empresarial legal, permitida então pela Lei Eleitoral, e contribuições ilegais derivadas de corrupção, as quais são investigadas pela Operação Lava Jato.
BETINHO GOMES (PSDB)
O deputado Federal Betinho Gomes recebeu com tranquilidade a informação de que seu nome constava como beneficiário de doações eleitorais da Odebrecht.
Ele mostrou, na sua prestação de contas de campanha, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o Diretório Nacional do PSDB doou, em 2012, a quantia de R$ 100.000 (cem mil reais) à sua campanha para Prefeito do Cabo de Santo Agostinho. Tais informações constam no site oficial do TSE.
Segundo apurou hoje Betinho, o Diretório Nacional do PSDB recebeu doações da citada empresa, de maneira que está mais do que explicada a inclusão do seu nome na relação de beneficiários da Odebrecht, instituição com a qual ele não tem qualquer relação pessoal ou profissional.
“Reafirmo meu compromisso de absoluto apoio à Operação Lava Jato, que tem se mostrado importante para resgatar a credibilidade da política nacional”, reiterou Betinho Gomes.
JARBAS FILHO (PMDB)
Todas as doações de campanha que recebi em 2012, quando tentei uma vaga para Câmara de Vereadores do Recife, foram declaradas e aprovadas. Dentro dessa prestação existem doações de empresas privadas, pessoas físicas e dos diretórios estadual e nacional do PMDB, meu partido. Tudo formalizado, seguindo as orientações legais e disponibilizado no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Jarbas Vasconcelos Filho

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