terça-feira, 24 de novembro de 2015

País está diante de problema de saúde pública de grandes dimensões, diz ministro

Ao contrário do que ocorreu em outros anos, a doença não deu trégua durante os meses mais frios / Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Ao contrário do que ocorreu em outros anos, a doença não deu trégua durante os meses mais frios

Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, admitiu que o País está diante de um problema de saúde pública de grandes dimensões. O verão que se aproxima será o primeiro em que três doenças - dengue, chikungunya e zika-, todas transmitidas pelo Aedes aegypti estarão presentes. Na definição do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Rivaldo Cunha, feita na segunda, 23, para o jornal O Estado de S.Paulo, o Brasil está diante de uma "tríplice epidemia."

"Estamos com problemão para resolver. Ele terá de ser resolvido por todos juntos: população, governos estaduais, municipais e o governo federal", disse o ministro. Este ano, a dengue bateu todos os recordes. Até a semana 45, foram contabilizados 1.534 932 casos da infecção, 7% a mais do que havia sido registrado em 2013. Neste ano, a doença provocou 811 mortes, 25% a mais do que em 2013, ano que até então havia registrado a maior marca histórica. O número de casos graves também subiu no período, alcançando 1.488 pacientes.
Ao contrário do que ocorreu em outros anos, a doença não deu trégua durante os meses mais frios. Para se ter uma ideia, há cinco semanas, o número de casos da doença era de 1.485.397. Neste curto espaço de tempo também se elevou o número de casos graves.
O fenômeno se repete com chikungunya, doença também transmitida pelo Aedes aegypti, com sintomas semelhantes ao da dengue. Embora o risco de morte seja menor, a doença pode atingir as articulações, tornar-se crônica e deixar o paciente por meses impossibilitado de executar tarefas simples, como vestir-se ou se alimentar. Foram confirmados até agora 6.724, com outros 8 926 em investigação. A exemplo da dengue, os números também evoluíram no último mês. Há quatro semanas, haviam sido confirmados 5.034 casos da doença. O avanço atípico preocupa autoridades sanitárias e é considerado como um prenúncio de que, no verão, os números dessas infecções poderão ser altos.
Como não há kits de diagnóstico, o governo não dispõe de números exatos sobre o avanço do zika vírus. A doença, que quando chegou ao País era considerada uma versão "light" da dengue, hoje mostra o contrário. Além de estar associada com a microcefalia, há a suspeita de que a infecção provoque uma doença autoimune, que leva à paralisia, a Guillaim-Barré. Há registros de casos no Brasil tanto na Bahia quanto em Pernambuco. Os pacientes geralmente desenvolvem o problema semanas depois da fase aguda da infecção por zika. O tratamento exige internação e demanda um longo período até a completa reabilitação.
"Estamos diante do desconhecido", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Antonio Carlos Nardi. O secretário apresentou os resultados do Levantamento de Infestação Rápida de Aedes aegypti, uma ferramenta usada pelas autoridades sanitárias para nortear as ações de controle do vetor, concentrando esforços em regiões onde há maior número de criadouros do mosquito. De acordo com trabalho, estão em situação de alerta as capitais de Aracaju, Recife, São Luís, Rio, Cuiabá, Belém e Porto Velho. Rio Branco está em situação de risco. São Paulo, ao lado de Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, João Pessoa, Boa Vista, Palmas, Teresina, Campo Grande e Curitiba, estão em situação considerada satisfatória.

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