quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Hospitais de referência também sofrem consequências da crise


Hospitais de referência também sofrem consequências da crise no RJ

Cirurgias e transplantes estão paralisadas em várias unidades. 
Hospital da Mulher, do Cérebro e São Francisco de Assis estão parados.

Do G1 Rio
Não são apenas as emergências dos hospitais que estão sofrendo com a crise. Hospitais de referência, como as unidades que fazem cirurgias complexas, como o Instituto Estadual do Cérebro, no bairro de Fátima, Centro, e o Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, Zona Norte, especializado em transplantes, também estão sem dinheiro. Os pacientes que fazem tratamentos nessas unidades não sabem a quem recorrer.

Os transplantes foram suspensos no hospital São Francisco de Assis, o segundo colocado no ranking nacional de transplantes de rins. Os setores de cardio e infectologia também deixaram de receber novos pacientes. O motivo é a falta de dinheiro da unidade para pagar médicos, funcionários e fornecedores. São necessários R$23 milhões para a normalização do funcionamento. Pacientes que aguardam um transplante há muito tempo agora não têm mais certeza de quando conseguirão a sonhada cirurgia.
No Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá, Zona Sul da cidade, os pacientes entraram em dieta forçada. Em dezembro, faltou comida na unidade. Médicos e funcionários dividiram o almoço com a PM e compraram questinhas para os pacientes.
Sem estoque de materiais elementares, como luvas e gaze, o Hospital da Mulher, em São João de Meriti, fechou as portas e bloqueou a entrada com tapumes. Para entrar, apenas sendo paciente de alto risco, ou grávida em trabalho de parto.

Inaugurado em 2013 a um custo de R$80 milhões de reais, o Hospital do Cérebro é referência em toda a América Latina. Mais de 100 cirurgias de alta complexidade vinham sendo realizadas por mês na unidade, mas, há uma semana, o atendimento foi fechado e as cirurgias suspensas.
"Todo material, os medicamentos, antibióticos, material cirúrgico, tudo começou a faltar. Tivemos que suspender as cirurgias. Nós fazíamos de cinco a sete cirurgias, estamos parados há uma semana. Pelo menos 30 ou 40 cirurgias deixaram de acontecer", conta o diretor Paulo Niemeyer, que conta que, com 40 anos de medicina, nunca viu uma crise como essa.
"Vemos crises em um hospital ou em outro, mas não em toda a rede. E não é só na estadual, os municipais estão em crise também", lamenta.

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