segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ARTIGO : DR PAULO LIMA


Dr. Paulo Lima*

UM BRASIL DE JOSÉS

 Temos assistido nestes últimos dias um filme que se repete a cada ano, com a chegada da temporada de chuvas na Região Sudeste, mais especificamente nas Serras e Baixada Fluminenses, onde é mostrado de maneira fria e crua como o descaso, a desonestidade,  a insensatez e a má-fé dos políticos se refletem - como uma sentença impiedosa proferida num processo injusto e sem direito à defesa - sobre as pessoas menos favorecidas pela roda da fortuna.

Quinta-feira mesmo, tivemos a repetição dessa tragédia, agora em Xerém, cidade onde nasceu o grande cantor e compositor  JESSÉ GOMES DA SILVA FILHO, mais conhecido como “ZECA PAGODINHO.” Assistimos, estarrecidos,em reportagem transmitida no JORNAL NACIONAL, imagens chocantes de uma cidade devastada pela força das águas, que, por onde passou carregou tudo, inclusive sonhos de uma vida, com a destruição das casas das pessoas. Entretanto o que mais me chamou a atenção foram às montanhas de lixo deixadas pelas ruas da cidade,  com a força das águas, resultado da incúria de administradores desonestos, que não cumprem, sequer, um dever elementar, que é cuidar de sua cidade, ao menos limpando as suas ruas. Vimos assim, mais uma vez, o quanto pode fazer mal a uma coletividade um político desonesto.

Não obstante, uma imagem me encheu de esperança e mostrou que nem tudo está perdido, já que entre os escombros apareceu a figura de um homem do povo, o Jessé, que bem podia se chamar José, desolado mas de cabeça erguida, dirigindo um quadriciclo para cima e para baixo, transportando na garupa as pessoas que ainda se encontravam nas áreas de risco, mostrando que, apesar dos pesares, a solidariedade e a honestidade ainda são qualidades da grande maioria de nossosJosés brasileiros. Viva o nosso grande ZECA PAGODINHO! 

O interessante é que logo em seguida foi exibida outra reportagem, desta feita transmitindo a posse de um outro José, na Câmara dos Deputados. Refiro-me ao agora conhecido como o “mensaleiro” JOSÉ GENOINO GUIMARÃES NETO, mais conhecido como JOSÉ GENOINO.

Acredito que a maioria de vocês, minha meia dúzia de diletos amigos leitores, conhece a história de JOSÉ GENOÍNO, ao menos a partir do chamado “escândalo do mensalão”, uma vez que foi ele acusado e condenado pelo Supremo, junto com um punhado de petistas que tentaram fazer do Governo “a casa de mãe Joana”, aparelhando e se apoderando da máquina pública como jamais havia sido visto neste Brasil varonil! A este, apesar de sua história de luta contra a ditadura militar, agora indelével e irremediavelmente manchada,  não podemos dar vivas e apenas lamentar. É que, embora condenado teve a audácia, a petulância de tomar posse num cargo que deveria ser ocupado por homens honrados e probos. Não discuto o seu direito, mesmo porque se encontra constitucionalmente assegurado. Discuto a  falta de ética desta pessoa e a injustiça por ele cometida contra os seus eleitores!

No entanto, como costumo dizer, em política não é assim que a banda toca. Este José, que, graças a Deus não é o nossoJessé merece o nosso repúdio!

E por falar em injustiça gostaria de fazer uma reparação contra um pequeno equívoco por mim cometido no último artigo, quando, mais uma vez, ao me referir acerca da vitória deEVILÁZIO ARAÚJO nas eleições de outubro passado, afirmei que tinha sido a maior vantagem de votos já obtida na nossa querida “Dália da Serra” por um candidato a prefeito. Na verdade, a maior diferença foi obtida por ERIVALDO ARAÚJO, já que este, quando foi eleito prefeito de nossa cidade, ganhou as eleições com uma diferença de mais de um mil e seiscentos votos. Entretanto, quero observar, também, um fato curioso.

 É que ambos, EVILÁZIO ARAÚJO e ERIVALDO ARAÚJO foram introduzidos na política por seus respectivos padrinhos, duas grandes lideranças políticas na época, já que ambos, EVILÁZIO e ERIVALDO não tinham, na ocasião, qualquer expressão em termos políticos. O interessante, porém, é que na primeira eleição EVILÁZIO ARAÚJO obteve a vitória, justamente sobre o então padrinho político de ERIVALDO ARAÚJO. Ocorre que desta feita EVILÁZIO ARAÚJO não precisou de padrinho político e caminhou com seus pés obtendo esta expressiva vitória.

O mais curioso é que estas duas figuras políticas - refiro-me aos padrinhos de EVILÁZIO ARAÚJO e ERIVALDO ARAÚJO - já não têm mais a força política de outrora. Um deles vive à sombra do atual prefeito e o outro, bem, o outro vive à margem de sua própria sombra.

Assim é a política e assim é a roda da fortuna: ora está em cima, ora está em baixo. E a vida continua.

Um abraço a todos.

*PAULO ROBERTO DE LIMA  é  graduado em Filosofia pela Universidade Católica, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife e atualmente exerce o cargo de  Procurador  Federal. 

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