domingo, 3 de julho de 2016

Morato tinha vida simples e bem diferente de um dos presos pela PF


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As histórias de dois personagens centrais da Operação Turbulência se cruzam em um dos principais destinos turísticos de Pernambuco: a praia de Tamandaré, no litoral sul do estado, a 109 quilômetros do Recife. Foi lá que o empresário Paulo César Morato, achado morto no dia 22 de junho, em um motel de Olinda, no Grande Recife,  passou quase 20 anos de uma vida que, segundo amigos e antigos vizinhos, era simples e sem exageros.

Bem diferente do luxo ostentado pelo empresário Eduardo Freire Bezerra Leite, conhecido como Ventola, dono de um casarão de veraneio numa área isolada na praia de Boca da Barra. Leite e mais outros três investigados pela Polícia Federal estão presos desde o dia 21 de junho, no Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife.

Histórias de vida separadas por menos de cinco quilômetros de distância e unidas por um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de ter movimentado em torno de R$ 600 milhões e que pode ter financiado a campanha política do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo dois anos atrás.

Continua…


Paulo César Morato era apontado pela Polícia Federal (PF) como o responsável pela empresa fantasma Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem Ltda, que teria aportado recursos milionários para a compra da aeronave usada na campanha presidencial de Eduardo Campos. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a empresa recebeu quase R$ 19 milhões da construtora OAS.

Os números vultosos contrastam com a rotina modesta e pacata de Morato em Tamandaré. Ele morava numa casa alugada, numa rua comercial do município, com a esposa e duas filhas que ela teve em um relacionamento anterior. Conjugada a um imóvel, uma loja de conserto de telefones celulares. O imóvel hoje está alugado a outra pessoa e, no ponto comercial, funciona uma sorveteria.

Vizinhos contaram que, vez por outra, Morato viajava para o Paraguai ou para São Paulo para comprar produtos para revender. Na cidade litorânea, não transparecia ter muitas riquezas e se dava bem com todo mundo.”Ele era um comerciante como qualquer outro.Tinha preocupação com dinheiro e tudo mais”, afirmou o comerciante Adilson Caetano.

Morato e a esposa estavam sempre na igreja católica do município. Frequentavam as missas, participavam do encontro de casais, se engajavam em campanhas. Paulo César Morato era amigo de infância do padre Arlindo Júnior, que após idas e vindas se reencontrou com ele em Tamandaré e não esconde a surpresa ao falar do destino do companheiro.

“Não dá para acreditar. Esse empresário Paulo César Morato que falam na televisão não é o Paulão. É como se fosse uma pessoa diferente. Paulão era uma pessoa querida por todos em Tamandaré”, conta o líder católico.

A reportagem teve acesso a fotografias que mostram Morato e a esposa em encontros religiosos. O clima de consternação foi tanto no município que houve uma missa em homenagem a Paulão, como era chamado pelos moradores. Um cartaz preparado para o evento dizia: “Sua alegria está eternizada em nossas lembranças”.

Morato saiu de Tamandaré pouco tempo depois do acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos e outras seis pessoas. Um casal muito próximo a Paulão disse que chegou a falar com ele poucas vezes após a mudança. E o empresário sempre se esquivava quando o assunto era o desastre aéreo e o esquema de corrupção descoberto em seguida. “Ele não era laranja. Era mais fácil ele ser um banana do que ser um laranja”, declarou Paulo Moura, que frequentava a igreja com Morato.

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