quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Mais de 500 PMs não recebem diárias há quatro meses

Policiais atuam com frequência em operações arriscadas de combate ao intenso tráfico de drogas na região / Foto:Rodrigo Lobo/Arquivo JC Imagem

Policiais atuam com frequência em operações arriscadas de combate ao intenso tráfico de drogas na região

Foto:Rodrigo Lobo/Arquivo JC Imagem

Não bastasse a rotina de estresse que tem levado muitos policiais ao esgotamento físico e mental, mais de 500 militares que atuam em programas especiais no Sertão pernambucano enfrentam um outro problema: estão há quatro meses sem receber diárias de trabalho. Conforme a Associação de Praças de Pernambuco (Aspra), para muitos isso representa R$ 1,9 mil a menos no salário do mês. Sem uma solução por parte do Estado, a entidade avisa que, se até o próximo dia 8 o pagamento não for realizado, acionará o governo na Justiça.
Estão sendo atingidos PMs do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati), Companhia Independente de Operações e Sobrevivência em Área de Caatinga (Ciosac), Programa Reflorestar e Polígono do Sertão. As equipes divulgaram nota na imprensa local criticando a desvalorização da categoria e apelando por providências das associações de classe.
“O governo exige meta, mas não respeita o policial, que está trabalhando insatisfeito e revoltado”, afirma o presidente da Aspra, José Roberto Vieira, informando que desde junho tem cobrado uma solução para o problema. “Os militares já contam com esse dinheiro para pagar suas contas. Nem a diária do São João receberam. Como podem se motivar a atuar em operações arriscadas de combate ao intenso tráfico naquela região? É mais um motivo de estresse para uma categoria já muito pressionada.”
O sindicalista salienta que o departamento jurídico se prepara para a ação, mas vai tentar uma nova negociação antes de acionar a Justiça. “Nunca vi uma crise como a de agora na segurança pública. O policial é forçado a atingir metas, é obrigado a trabalhar doente, inclusive com problemas psicológicos. Está aí o caso do soldado que matou o cabo depois de receber atestado médico de que estava apto para trabalhar. O atendimento psicológico da PM é péssimo, não funciona”, diz.
O caso aconteceu no último domingo, em Apipucos, Zona Norte do Recife. Após uma discussão ideológica sobre cotas raciais, o soldado Flávio Oliveira da Silva, 32 anos, matou o colega de trabalho, o cabo Adriano Silva, 41, atirando na cabeça dele com a viatura em movimento. O soldado está preso e responde a processo de licenciamento, devendo ser expulso. 
Outra policial que estava na viatura se encontra afastada em tratamento psicológico, segundo a PM. Familiares do soldado revelaram ao comandante do 11º Batalhão, coronel Ronaldo Tavares, que ele usava remédios controlados há cerca de três anos, tinha alucinações e “bebia socialmente”. Ele havia passado por tratamento contra o alcoolismo entre 2012 e 2013 no Núcleo de Apoio a Dependentes Químicos (Nadeq) da corporação. Nos últimos três anos, 74 PMs foram afastados por problemas psicológicos.
Em meio à crise, 1.117 novos soldados começaram um estágio prático, nesta terça, reforçando o policiamento no Grande Recife. O  JC pediu posicionamento da PM sobre o pagamento das diárias, mas não obteve retorno.


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