domingo, 9 de julho de 2017

Ensinar Programação é preparar para o amanhã

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A tecnologia tem revolucionado a forma como vivemos, como aprendemos e como ensinamos as coisas no mundo atual. A quantidade de recursos digitais desenvolvidos especialmente para apoiar o processo de ensino-aprendizagem é ampla.
Enciclopédias, apresentações em cartolina, retroprojetor foram substituídos por jogos eletrônicos, plataformas digitais, aplicativos e softwares educacionais, entre outros itens que compõem um cardápio variado de opções para os educadores que desejam tornar as suas aulas mais interessantes, atrativas e interativas. Mas, será que isso é suficiente para formar indivíduos preparados para os desafios do século 21?
De tempos em tempos novas habilidades são requeridas dos jovens. O que antes poderia ser visto como um diferencial, tais como diploma de curso superior ou falar outro idioma, são quase commodities no mundo atual. Uma habilidade que vem sendo cada vez mais apontada como crucial para se inserir nas exigências do século 21 é saber programar. Para alguns, essa nova linguagem é tão importante quanto saber ler ou escrever.

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Para que uma pessoa seja capaz de transformar a sua realidade, não basta saber usar um aplicativo. É preciso “falar” essa nova linguagem que dá corpo e permite o desenvolvimento tecnológico constante e veloz que estamos vivenciando. E, essa nova linguagem, é a programação.
Além dos benefícios óbvios para a inserção no mercado de trabalho, que sofre com a carência de profissionais com essa característica, o ensino de programação estimula o desenvolvimento de novas habilidades, como a criatividade, a autonomia, o raciocínio lógico, a capacidade de resolução de problemas e o trabalho em equipe, habilidades muito valorizadas atualmente. Como argumentou Steve Jobs ao defender que a programação deveria fazer parte do currículo de todas as escolas nos Estados Unidos: “todo mundo neste país deve aprender a programar um computador… porque isso te ensina a pensar”.
Para quem fala inglês, há excelentes ferramentas que ensinam programação online, pagas e gratuitas. Entre as gratuitas vale destacar o Code.org (https://code.org/) – iniciativa que conta com o apoio da Microsoft, Facebook, Amazon e Google, entre muitos outros – e o Scratch (https://scratch.mit.edu/), criado no MIT Media Lab baseado no princípio de que escrever códigos é como montar um Lego. Juntos, estes dois sites já alcançaram mais de 30 milhões de alunos em todo o mundo.
No Brasil, o surgimento de escolas especializadas em programação e a introdução do ensino dessa linguagem no currículo de algumas escolas, especialmente nas particulares, indica que muitos já perceberam essa nova tendência. E nas escolas públicas? Os alunos dessas escolas, que representam cerca de 85% do universo, não podem ser privados dessa oportunidade.
É essa lacuna que o CodeLife (codelife.com), projeto desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), está tentando ocupar. Em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Estado (SEE-MG) e a equipe do MIT Media Lab, a Fapemig está desenvolvendo uma plataforma gratuita, em português, voltada para o ensino de programação para os jovens e que será lançada em 2018.
Não há como negar que gestores públicos no Brasil enfrentam desafios imensuráveis para resolver problemas que carregamos do passado e reduzir o passivo acumulado. No entanto, isso não nos exime de entender e encarar os novos desafios que o futuro nos impõe. No caso da educação, um destes novos desafios é ampliar o aprendizado da programação como uma nova linguagem. Iniciativas bem sucedidas nesta tarefa contribuirão para formar alunos muito mais bem preparados para o amanhã.


Emília Paiva* é economista, com mestrado em planejamento urbano na Universidade da Pensilvânia e doutorado em geografia na PUC de Minas Gerais. Já atuou como empreendedora pública e diretora vice-presidente no Escritório de Prioridades Estratégicas.


O conteúdo dos artigos publicados nessa seção é de inteira responsabilidade de seus autores.
*O artigo foi escrito em co-autoria com o Renato Beschizza, economista pela UFMG, com especialização em Finanças pela Fundação Dom Cabral. Atuou como empreendedor público no Escritório de Prioridades Estratégicas e é sócio da Innpact Ventures.

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