segunda-feira, 15 de maio de 2017

Chumbinho já matou 8 pessoas em PE este ano; entenda todos os riscos

Família com suspeita de envenenamento continua internada em unidades de saúde  / Guga Matos/JC Imagem
Família com suspeita de envenenamento continua internada em unidades de saúde
Guga Matos/JC Imagem
Da Editoria de Cidades 

A Polícia Civil investiga a hipótese de envenenamento de nove pessoas de uma mesma família de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR), que foram socorridas no domingo (14) com suspeita de intoxicação por chumbinho, veneno erroneamente indicado para ratos e que é vendido irregularmente. Todas continuam internadas. Entre janeiro e 15 de maio deste ano, o Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco (Ceatox-PE) atendeu, pelo 0800 7226001, 137 pacientes por intoxicação por agrotóxico agrícola (chumbinho), com oito óbitos. Em 2016, entre janeiro e maio, foram 139 atendimentos e oito óbitos. Durante todo o ano passado, foram 355 atendimentos, com 49 óbitos. Em 2015, foram 229, com 36 óbitos.


“O chumbinho não é eficaz contra as colônias de rato. Esse produto ainda é perigoso para os seres humanos, pois sua ingestão pode causar o óbito em poucas horas”, avisa a médica Lucineide Porto, coordenadora do Ceatox-PE. Ela ressalta que o comércio desse agrotóxico como raticida doméstico é enquadrado como uma atividade ilícita e criminosa. “O chumbinho causa problemas no sistema nervoso, respiratório, cardiovascular e digestivo. Depois da ingestão, a pessoa, pode apresentar diminuição dos batimentos cardíacos, dor abdominal, distúrbios neurológicos e dificuldade de respirar”, explica. A médica ainda ressalta que o produto pode contaminar uma pessoa no simples contato com a pele ou respiração. Em caso de ingestão, dependendo da quantidade, pode levar à morte.
Segundo Lucineide, a pessoa intoxicada precisa ser levada imediatamente ao serviço de urgência mais próximo. Alguns cuidados também são necessários, ainda em casa, até a chegada do transporte. Entre eles, deixar o paciente em lugar seguro, manter as vias aéreas livres e ter cuidado para o paciente não se machucar, devido a convulsões que podem aparecer. “A unidade de saúde pode entrar em contato com o Ceatox para que seja analisado o melhor tratamento”, avisa Lucineide. Ela lembra que, por ser um produto ilegal, normalmente, várias substância são utilizadas na fabricação, o que dificulta saber ao certo quais os verdadeiros agentes que estarão atuando no organismo.

“A venda do chumbinho é considerada crime e a responsabilidade de fiscalização e apreensão, nesses casos, é de competência das vigilâncias sanitárias municipais. A população também deve denunciar os órgãos competentes caso saiba de pontos de venda e jamais deve usá-lo como raticida, já que ele não consegue atingir toda a colônia de ratos”, ressalta Lucineide.

ILEGALIDADE

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendeu, no ano de 2012, o comercio do agrotóxico Aldicarb, um dos principais insumos utilizados clandestinamente na fabricação do chumbinho. Trata-se de um agrotóxico granulado, classificado como extremamente tóxico, que tinha aprovação para uso exclusivamente agrícola, para aplicação nas culturas de batata, café, citros e cana-de-açúcar. Só no ano de 2012, esse produto foi responsável por 60% dos 8 mil casos de intoxicação por chumbinho registrados no Brasil. Os motivos do banimento do Aldicarbe do mercado nacional estão relacionados à alta incidência de intoxicações humanas e de envenenamento de animais.

TELEATENDIMENTO

O Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco possui uma equipe multiprofissional atuando 24 horas por dia para prestar assistência rápida, por telefone, à sociedade e aos profissionais de saúde. Pelo número 0800 7226001, é possível tirar dúvidas sobre casos de intoxicações e acidentes com animais peçonhentos. A equipe do local ainda faz o acompanhamento posterior dos casos.

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