domingo, 1 de janeiro de 2017

O bom e o ruim do litoral pernambucano

Forte Orange está tomando pelo lixo / Sérgio Bernardo/JC Imagem
Forte Orange está tomando pelo lixo
Sérgio Bernardo/JC Imagem
JC Online


O ano de 2017 começa hoje com uma incômoda certeza: quem deseja visitar alguma praia nos 187 quilômetros de extensão do litoral de Pernambuco</DC> vai encontrar, na mesma proporção, cenários paradisíacos e sujeira. Bons restaurantes e estabelecimentos onde a higiene é artigo em falta. Points de agitação e lugares onde as casas de veraneio estão entregues às moscas. E o pior: dentro de um contexto que junta a crise econômica e a troca das gestões municipais (a maioria das cidades praianas não teve prefeitos reeleitos). Tudo aliado à falta de investimentos em estrutura por parte do governo do Estado, que admite não ter programa específico de ações para a estação.
ITAMARACÁ

Entra verão, sai verão e a joia do Litoral Norte do Estado continua carente de investimentos e, pior, dos cuidados mais elementares. A entrada da Ilha de Itamaracá é um simbólico cartão de visitas do que o turista vai encontrar. A Ponte Presidente Vargas – ligação com o município de Itapissuma – é intransitável para pedestres: a falta de blocos de concreto no piso cria perigosas aberturas. As vigas estão expostas. Uma das principais atrações turísticas da ilha, o Forte Orange está em reforma desde 2014. Orçada em R$ 11 milhões, a obra deveria ter sido entregue em 2015. O novo prazo agora é até o final de 2017. A coleta de lixo, um problema crônico em toda ilha, atinge, inclusive, a areia da praia. Os comerciantes não escondem uma pontinha de ciúmes em relação ao Litoral Sul, que para eles é alvo de todos os investimentos do poder público em infraestrutura e divulgação. Empossado hoje, o novo secretário municipal de Turismo, Bruno Reis, promete uma nova realidade para o município. “Teremos ações emergenciais, mas 2017 será marcado pela elaboração de grandes projetos que serão executados a partir de 2018. O foco é a retomada da vocação turística da ilha, de forma sustentável”, ressalta.

BARRA DE CATUAMA

No mundo ideal, a Praia de Barra de Catuama, no município de Goiana, seria um paraíso turístico, com uma penca de resorts e pousadas. Tem uma faixa generosa de areia branca, mar calmo e muito verde (uma das praias mais arborizadas do litoral pernambucano). Mas a realidade é de abandono em todos os segmentos. O balneário virou um lixão a céu aberto. Em certas vias fica difícil até mesmo passar com o carro, tamanha a quantidade de detritos despejados. A mistura de lixo com esgoto, que corre abertamente em alguns lugares, deixa o cheiro insuportável. Os bares na faixa de areia operam de forma precária, com poucas condições de higiene. A proliferação de animais nas ruas representa outro grande problema. A população de bois, vacas, cavalos e cachorros é grande e muitos circulam pela faixa de areia, deixando, inclusive, fezes pelo caminho. Desnecessário lembrar que o lixo espalhado pelas ruas se torna um convite à alimentação dos bichos. A falta de segurança também está entre os principais problemas relatados pela população. “Não se vê policiais aqui e, quando chamamos, é muito difícil aparecerem. A delegacia fica fechada a maior parte do tempo”, relata um comerciante, que preferiu não se identificar.

PORTO DE GALINHAS

Não pense que não vai encontrar problemas em Porto de Galinhas. Eles decorrem, em sua maioria, do grande fluxo de pessoas que visitam o balneário nesta época do ano. Para quem chega de carro, estacionar é uma tarefa que exige paciência. Dentro da Vila de Porto, as poucas vagas disponíveis são tomadas nas primeiras horas da manhã. Há muitos flanelinhas e o assédio aos motoristas para oferecer vagas é recebido com cara feia pelos turistas. Na praia, o vale-tudo entre os comerciantes informais também atrapalha os banhistas. De comida a roupas, os carrinhos e tabuleiros chegam a formar uma espécie de congestionamento na areia. “Muitos vendedores aqui não têm capacitação para atender bem os turistas. É importante investir nisso”, comenta Aílton José, que trabalha como instrutor de um projeto social na praia. A Prefeitura de Ipojuca explica que está cuidando, dentro do Programa Praia Legal, da capacitação dos ambulantes no manuseio de alimentos e técnicas de comercialização e venda. Para minimizar o problema, a administração promete definir este ano uma área de estacionamento em Muro Alto, com capacidade para 1.500 veículos. A partir de março, segundo a prefeitura, será implantado o sistema Zona Azul em todo o município.

TAMANDARÉ

No mapa nacional do turismo, o município de Tamandaré, no Litoral Sul, é conhecido pela Praia dos Carneiros e sua invejável infraestrutura. Não poderia haver contraste maior com a praia que leva o nome da cidade. Tamandaré já foi palco de agitos de final de ano e tinha um intenso fluxo de veranistas, principalmente jovens ávidos pelos grandes shows que aconteciam na cidade. Hoje o cenário mudou. Há muitas casas de veraneio ainda disponíveis para aluguel. Na praia, onde muitas crianças costumam brincar, não há salva-vidas. Os comerciantes dos poucos estabelecimentos – as condições de higiene nos quiosques da beira-mar não são das melhores – reclamam da falta de segurança, traduzida em assaltos, principalmente para roubar telefones celulares. Segundo a prefeitura, o município tem parceria com o Corpo de Bombeiros para disponibilizar guarda-vidas durante a alta estação. A administração municipal afirma que, desde novembro, a Polícia Militar reforçou em oito homens o efetivo local e que a delegacia teve o mesmo aumento no número de servidores. 

PRAIA DE CARNEIROS

Localizada no meio do caminho entre Tamandaré e Porto de Galinhas, às margens da rodovia PE-72, a Praia dos Carneiros tem um certo isolamento que garante o seu charme. A beleza natural do lugar é arrebatadora. Na maré alta, o mar calmo e cristalino proporciona um banho seguro. Quando o mar seca, a grande faixa de areia convida para caminhadas. Pousadas com bangalôs e chalés à beira-mar completam o belo cenário do lugar. Mas tudo isso tem um preço e Carneiros se destina a bolsos privilegiados. Como a maioria dos empreendimentos são privados, os acessos à praia são pagos. A média de preço para estacionar nos estabelecimentos como pousadas e restaurantes é de R$ 30. Um passeio de barco sai a R$ 50 por pessoa. São poucos os acessos públicos a pé, e os mesmos demandam uma caminhada de pouco mais de um quilômetro em meio ao coqueiral. Ou seja: é difícil estacionar sem pagar, e complicado andar até a praia. Uma vez lá, não deixe de ir ao principal cartão-postal do lugar: a Igreja de São Benedito, construída no século 18 e que fica quase na areia da praia.

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