Nessa terça (24), Bottene assassinou Oliveira, que era coordenador da Central de Vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) de Piracicaba, no refeitório do Samu e depois se matou com um tiro no próprio peito. A polícia investiga o que motivou o crime.
'Proteção'
Paola Oliveira, mulher da vítima, negou a afirmação da família de Bottene sobre o marido perseguir ou assediar o colega de trabalho. "Na verdade, ele o protegia. Por diversas vezes, meu marido chegou a cobrir os plantões dele quando se ausentava porque não queria levar a reclamação para o secretário de Saúde", contou. "Ele pensava na família dele", ressaltou.
"Deives dizia não saber mais o que fazer com o Jorel porque, há tempos, ele faltava ou chegava atrasado nos plantões. Então, foi conversar para chamar a atenção dele e fez uma reclamação formal, mas ele se ofendeu e fez o que fez", relatou Paola.
O irmão de Jorel Bottene afirmou que o clínico geral tinha a intenção de matar o colega "há muito tempo". De acordo com o familiar, o médico já havia comentado com a família que pensava em cometer o crime porque era assediado moralmente por Oliveira estava com dificuldade de trabalhar por conta da perseguição.
Josiris Bottene afirmou que o irmão era "humilhado há anos" por Oliveira. Além das discussões no trabalho, o homem também afirmou que o médico não estava mais conseguindo receber plantões no Samu por conta da desavença com o outro profissional e chegou a ter dificuldades financeiras por isso.
colega (Foto: Marcello Carvalho/G1)
De acordo com a Polícia Civil, a arma usada pelo médico, uma pistola 6.35, era do pai dele. Uma técnica em enfermagem que trabalha no Samu de Piracicaba contou à investigação que estava na central e ouviu o barulho dos tiros.
Ela disse aos policiais que foi até a cozinha para ver o que estava acontecendo e encontrou Oliveira caído e Bottene também no chão e com a arma na mão. Procurada pelo G1, a testemunha não quis comentar o assunto.
A EPTV, afiliada da Rede Globo, entrou em contato com a irmã de Bottene, que levou o médico até a unidade do Samu nesta manhã, pouco antes do crime. Ela também não quis falar sobre o caso com a reportagem.
Investigação
A Polícia Civil reiterou que continua com a linha de investigação do crime ter sido motivado por um desentendimento profissional entre os médicos. O delegado Ruy Luiz Ramires afirmou que vai analisar todas as possibilidades e, por enquanto, não descarta nenhuma suspeita – inclusive a de um envolvimento de uma terceira pessoa ou um crime passional. "Vamos começar as oitivas", disse.
investigação (Foto: Marcello Carvalho/G1)
O crime
Os tiros atingiram Oliveira em uma das pernas, no tórax, no abdômen e na cabeça, conforme a secretaria de Saúde do município. Em seguida, Bottene atirou contra o próprio peito. Ele foi levado pelos colegas de Samu até a Santa Casa da cidade, mas morreu a caminho do hospital.
O secretário de Saúde de Piracicaba, Pedro Antonio de Mello, lamentou o ocorrido. Segundo ele, desavenças pessoais podem ter motivado o crime.
"Eram profissionais de alta qualidade e, inicialmente, não havia registros de conflitos entre eles no trabalho. É muito triste, nada que tenha acontecido justifica essa tragédia", disse.
Em 2013, como diretor técnico do Samu, Oliveira chegou a assumir interinamente a Secretaria de Saúde do município. Ele substituiu na época Luiz Roberto Pianelli, que havia sofrido um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI). Oliveira acumulou as duas funções na ocasião.
Nenhum comentário:
Postar um comentário