segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DETRAN: O CALO DE RAQUEL LYRA?

 


Demora para tirar a CNH, escassez de vagas, dificuldades no atendimento e concentração de ações no Recife aumentam desgaste do órgão e podem virar um problema político para Raquel Lyra

O DETRAN-PE pode estar se transformando em um dos maiores calos políticos do Governo Raquel Lyra. E não é por falta de aviso.

Para parte da população pernambucana, principalmente no interior, procurar os serviços do órgão virou sinônimo de espera, dificuldade e incerteza.

São reclamações envolvendo atendimento, demora nos processos de habilitação, dificuldade para conseguir vagas para determinadas etapas e cidadãos que precisam acompanhar constantemente o sistema na esperança de finalmente avançar no processo.

Enquanto isso, fica uma pergunta que precisa ser feita ao Governo de Pernambuco:

Por que tantas ações especiais e mutirões chegam ao Recife enquanto inúmeras cidades menores continuam esperando soluções?

TIRAR UMA CNH NÃO PODE VIRAR UMA MARATONA

A primeira habilitação representa muito mais do que o direito de dirigir.

Para milhares de pernambucanos, principalmente jovens e trabalhadores do interior, a CNH significa emprego, renda e oportunidade.

Mas o que deveria ser um processo organizado pode se transformar numa longa espera quando faltam vagas ou quando uma etapa demora a ser realizada.

O candidato conclui uma fase e depois precisa aguardar a próxima. Quando finalmente está preparado para realizar prova ou procedimento, pode enfrentar dificuldade para encontrar disponibilidade.

E o tempo vai passando.

Semanas podem virar meses.

Quem paga essa conta é o cidadão.

A ESCASSEZ DE VAGAS VIROU UM DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS

O Governo precisa olhar com atenção para a disponibilidade de atendimento no interior.

Não basta existir um sistema de agendamento se a quantidade de vagas não acompanha a demanda.

Quando uma vaga se transforma quase em artigo de luxo, alguma coisa está errada.

O cidadão não deveria precisar disputar atendimento público como se estivesse tentando comprar ingresso para um grande evento.

Serviço público precisa ter planejamento e capacidade para atender à população.

Se a demanda aumentou, aumentem-se as vagas.

Se faltam examinadores, servidores ou estrutura, que o Estado faça os investimentos necessários.

O que não pode continuar é simplesmente transferir para o cidadão o peso da deficiência administrativa.

RECIFE RECEBE AÇÕES. E O INTERIOR?

Outro ponto que merece uma cobrança firme é a distribuição das ações especiais do DETRAN.

Mutirões e operações extraordinárias são importantes. Toda iniciativa que reduza filas merece reconhecimento.

Mas Pernambuco não termina na Região Metropolitana.

Existe Pernambuco depois do Recife.

Onde estão os grandes mutirões para atender quem está no Agreste?

Onde estão as ações reforçadas no Sertão?

Onde estão as operações para desafogar as CIRETRANs das cidades menores?

Onde estão as vagas extras para candidatos que estão esperando há meses?

Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru, Surubim, Belo Jardim, Arcoverde e tantas outras cidades atendem populações próprias e ainda recebem diariamente moradores de municípios vizinhos.

O interior também paga impostos.

O interior também tem pressa.

O CIDADÃO NÃO QUER DESCULPA. QUER ATENDIMENTO

Quem precisa da CNH para trabalhar não quer ouvir eternamente que faltam vagas.

Quem precisa resolver um problema relacionado ao veículo não quer enfrentar uma peregrinação.

Quem procura uma unidade do DETRAN quer ser atendido com respeito, orientação e eficiência.

E também existem reclamações sobre a qualidade do atendimento. Evidentemente, não se pode generalizar o trabalho de todos os servidores, muitos dos quais enfrentam sobrecarga e limitações estruturais.

Mas quando reclamações se repetem, a direção do órgão precisa ouvir.

Não adianta melhorar propaganda se a experiência do cidadão continua ruim.

RAQUEL LYRA PRECISA OLHAR PARA O INTERIOR

Esse problema já ultrapassou as paredes do DETRAN.

Ele começa a chegar politicamente ao Governo do Estado.

Raquel Lyra precisa determinar uma verdadeira força-tarefa para o interior de Pernambuco.

É necessário ampliar vagas, descentralizar ações, realizar mutirões regionais, reforçar as CIRETRANs, melhorar os sistemas e estabelecer um calendário permanente para atender a demanda reprimida.

E não estamos falando de favor.

Estamos falando de obrigação do Estado.

Pernambuco possui 184 municípios e Fernando de Noronha. A população que mora distante da capital não pode ser tratada como pernambucana de segunda categoria.

Quando existe uma grande ação no Recife, ela é positiva.

Mas é preciso perguntar:

quando chegará a vez das cidades pequenas?

UM PROBLEMA ADMINISTRATIVO QUE PODE CHEGAR ÀS URNAS

Raquel Lyra precisa entender a dimensão política dessa insatisfação.

Uma eleição equilibrada pode ser decidida nos detalhes.

Um aluno que espera meses pela CNH é um eleitor.

O pai e a mãe dele também são.

O instrutor prejudicado pela falta de vagas é eleitor.

Os familiares dele também.

O trabalhador que depende da habilitação para conseguir emprego é eleitor.

E todos eles sabem exatamente a quem pertence o DETRAN: ao Governo do Estado.

Por isso, existe um risco político evidente.

A governadora pode entregar estradas, escolas, abastecimento de água e grandes obras. Tudo isso tem importância.

Mas o cidadão também avalia um governo pela experiência que vive no balcão do serviço público.

Não adianta o governo chegar perto do cidadão através das obras e o DETRAN afastá-lo através da burocracia.

O alerta está dado.

O interior não está pedindo privilégio.

Está exigindo igualdade.

O pernambucano de Recife merece atendimento digno.

O pernambucano do Agreste também.

O pernambucano do Sertão também.

O pernambucano das pequenas cidades também.

Se o Governo Raquel Lyra não compreender isso e não promover mudanças concretas no DETRAN-PE, poderá descobrir nas urnas que um serviço público ruim também tem preço político.

O INTERIOR TAMBÉM É PERNAMBUCO. E NÃO PODE CONTINUAR ESPERANDO.

domingo, 27 de setembro de 2026

ROMERO LEAL: DE RESPONSÁVEL PELA TRANSFORMAÇÃO DE VERTENTES A ALVO DE UMA GUERRA POLÍTICA



Quatro vezes prefeito, Romero ajudou a tirar Vertentes de um cenário de dificuldades, conduziu um ciclo de desenvolvimento e ainda foi decisivo para a continuidade do próprio grupo. Hoje, rompido com o sucessor que ajudou a eleger, enfrenta ataques e uma dura batalha política.

A política pode produzir histórias difíceis de explicar. E poucas situações chamam tanta atenção em Vertentes quanto o momento vivido pelo ex-prefeito Romero Leal.

Para seus apoiadores, existe uma palavra que resume o sentimento diante do rompimento entre Romero e o atual prefeito Rael Ferreira: ingratidão.

Romero não foi um personagem passageiro da política de Vertentes. Foram quatro administrações e 16 anos comandando o município, período no qual construiu um legado que seus defensores associam diretamente à modernização e ao desenvolvimento da cidade.

Foi sob suas administrações que Vertentes atravessou importantes transformações. Para quem acompanhou o município antes e depois desse ciclo, Romero representa uma mudança de patamar: uma cidade que enfrentava enormes dificuldades passou a buscar mais estrutura, obras, serviços públicos e presença do poder municipal.

Pode-se gostar ou não de Romero. Pode-se votar nele ou em seus adversários.

Mas não se pode apagar 16 anos da história de Vertentes.

O HOMEM QUE AJUDOU A ELEGER O PRÓPRIO SUCESSOR




Talvez seja justamente aí que esteja a parte mais dolorosa dessa história para os aliados de Romero.

Depois de quatro mandatos, Romero poderia simplesmente ter encerrado seu ciclo administrativo. Em vez disso, participou da construção da continuidade do grupo e esteve no projeto que levou Rael Ferreira à Prefeitura de Vertentes.

A eleição de 2024 foi decidida por apenas 189 votos. Rael conquistou 7.192 votos, contra 7.003 de Zito Barros.

Romero estava do lado vencedor.

Participou daquela construção política, colocou seu peso eleitoral em campo e trabalhou para que o grupo permanecesse governando Vertentes.

E hoje?

Hoje Romero e Rael estão em lados opostos.

O antigo aliado transformou-se em adversário.

É justamente por isso que muitos dos seguidores do ex-prefeito enxergam o episódio não como uma simples divergência política, mas como uma enorme ingratidão política.

ROMERO PASSOU A SER ALVO

Depois do rompimento, o ambiente político ficou cada vez mais pesado.

Romero passou a enfrentar acusações públicas e episódios que chegaram às autoridades. Rael Ferreira afirmou ter sido ameaçado pelo ex-prefeito e registrou boletim de ocorrência. Romero nega as acusações e anunciou reação judicial, sustentando que está sendo injustamente acusado.

É fundamental registrar: acusação não é condenação.

Boletim de ocorrência também não transforma automaticamente uma denúncia em verdade comprovada.

Romero tem direito à defesa, ao contraditório e, sobretudo, a não ser previamente condenado pela opinião pública.

Para seus aliados, o que está acontecendo ultrapassou há muito tempo os limites de uma divergência eleitoral. Eles enxergam uma tentativa de atingir politicamente justamente o homem que ajudou a construir o projeto que colocou o atual grupo no poder.

PODEM ATACAR ROMERO. NÃO PODEM APAGAR SUA HISTÓRIA.

Existe uma coisa que nenhuma guerra política consegue retirar de Romero Leal: seu legado administrativo.

Foram quatro mandatos.

Foram 16 anos.

Foram quatro oportunidades em que a população lhe entregou a responsabilidade de comandar Vertentes.

Romero encontrou uma Vertentes marcada por enormes dificuldades e seus apoiadores defendem que entregou uma cidade muito mais estruturada e desenvolvida.

Seu ciclo administrativo ajudou a mudar a autoestima de Vertentes.

A cidade cresceu.

Avançou.

Ganhou estrutura.

Passou a ocupar outro espaço dentro da região.

E isso não desaparece porque antigos aliados decidiram romper.

E AGORA QUEREM QUE O POVO ESQUEÇA ROMERO?

Essa talvez seja a maior batalha.

Não se trata apenas do futuro político de um ex-prefeito.

Trata-se de memória.

Quem viveu Vertentes durante esses anos sabe avaliar o que existia antes, o que foi construído e qual município ficou depois de quatro administrações.

E cada eleitor tem o direito de reconhecer esse legado.

Ninguém deveria ser perseguido, constrangido ou pressionado porque deseja votar em Romero Leal. Caso qualquer cidadão sofra efetivamente ameaça ou retaliação por sua preferência eleitoral, o episódio deve ser documentado e denunciado às autoridades.

O voto é livre.

Servidor público tem voto.

Comerciante tem voto.

Agricultor tem voto.

Professor tem voto.

Jovem tem voto.

O povo de Vertentes tem voto.

E ninguém é dono da consciência política de ninguém.

ROMERO NÃO É APENAS UM CANDIDATO. ELE CARREGA UMA HISTÓRIA.

Essa é a diferença.

Quando Romero volta às ruas e conversa com o povo, não precisa apresentar apenas promessas.

Ele apresenta uma trajetória.

Apresenta quatro mandatos.

Apresenta 16 anos de administração.

Apresenta uma história construída dentro de Vertentes.

E apresenta algo ainda mais poderoso: a memória de milhares de pessoas que acompanharam a transformação do município.

É exatamente por isso que seus adversários sabem o tamanho político que Romero ainda possui.

Romero pode estar fora da Prefeitura.

Pode ter rompido com quem ajudou a eleger.

Pode enfrentar acusações, ataques e uma das fases mais duras de sua trajetória pública.

Mas existe algo que ninguém consegue retirar por decreto, discurso ou disputa política:

o que foi construído ficou.

A INGRATIDÃO PODE ATÉ MACHUCAR. A HISTÓRIA, PORÉM, NÃO SE APAGA.

A política é cheia de ironias.

Ontem, Romero estava nas ruas defendendo o projeto que ajudaria Rael Ferreira a chegar à Prefeitura.

Hoje, os dois estão rompidos e protagonizam uma das maiores guerras políticas da história recente de Vertentes.

Para os romeristas, fica uma pergunta:

Foi esse o tratamento que Romero merecia depois de tudo que representou para o grupo político e para Vertentes?

O julgamento político definitivo não pertence a prefeito, ex-prefeito, vereador ou liderança.

Pertence ao povo.

E talvez seja justamente nas urnas que Vertentes dará sua resposta.

Porque homens passam pelos cargos.

Os mandatos terminam.

As alianças acabam.

O poder muda de mãos.

Mas legado não se apaga.

E para uma parcela expressiva da população, quando se falar da transformação e do desenvolvimento de Vertentes, será impossível contar essa história sem pronunciar um nome:

ROMERO LEAL.

O homem que recebeu uma Vertentes cheia de dificuldades, ajudou a reconstruí-la, colocou o município em outro patamar e agora luta para que nem a ingratidão, nem os ataques políticos consigam apagar aquilo que construiu ao lado do povo.

FIM DAS BETS: Governo Federal proíbe apostas online no Brasil; sites deverão sair do ar em outubro

 



Medida atinge apostas esportivas e jogos online, proíbe publicidade e estabelece prazo para que apostadores retirem dinheiro das plataformas

O mercado das chamadas bets está com os dias contados no Brasil. O Governo Federal publicou uma Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional.

A decisão alcança tanto as tradicionais apostas esportivas quanto os jogos de cassino online, que ganharam enorme popularidade nos últimos anos. A proibição também vale para autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal. Outras modalidades de loterias previstas em lei não são atingidas pela medida.

Sites deverão sair do ar

A mudança será rápida. Desde a publicação da medida, as plataformas ficam impedidas de receber novos aportes. Os apostadores que ainda possuem dinheiro disponível nas contas terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para solicitar voluntariamente a retirada dos valores.

A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos das bets deverão sair do ar no Brasil. Para quem não retirar o dinheiro dentro do prazo, está previsto um procedimento de devolução dos saldos remanescentes por meio das instituições financeiras entre os dias 9 e 14 de outubro.

Publicidade também chega ao fim

Outra mudança de enorme impacto será na publicidade. As empresas não poderão realizar novas campanhas de divulgação, e os materiais e patrocínios existentes terão prazo para retirada.

A medida deverá atingir diretamente clubes de futebol, influenciadores digitais, emissoras, sites, páginas nas redes sociais e outros setores que passaram a receber grandes investimentos das casas de apostas.

O fim das bets representa, portanto, não apenas uma mudança para quem apostava, mas uma transformação em um mercado que movimentou bilhões de reais e ganhou enorme espaço no futebol e na publicidade brasileira nos últimos anos.

Governo aponta prejuízos às famílias

Um dos principais argumentos apresentados pelo Governo Federal é o impacto social provocado pela expansão das apostas.

Segundo informações apresentadas pelo Executivo, os atendimentos relacionados ao jogo patológico e problemas associados às apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. O governo também cita estudo que estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos, considerando impactos sobre saúde e qualidade de vida.

Por trás da promessa de dinheiro fácil, milhares de brasileiros passaram a enfrentar uma realidade bem diferente: endividamento, perda de renda, conflitos familiares e dependência do jogo.

Um estudo divulgado pelo Sicredi apontou ainda que, entre os associados analisados, a inadimplência daqueles que fizeram apostas online em 2025 era 40% maior do que entre aqueles que não apostaram.

Quem insistir poderá enfrentar punições

O Governo Federal também anunciou que pretende endurecer o combate às plataformas clandestinas. Sites que permanecerem operando após o prazo deverão ser bloqueados, e a fiscalização deverá alcançar domínios, aplicativos, contas e meios de pagamento utilizados pelas empresas ilegais.

Além da Medida Provisória, o Executivo encaminhará ao Congresso um projeto de lei criando crimes específicos relacionados às apostas. Entre as propostas está pena de 4 a 6 anos de prisão para quem explorar apostas de quota fixa ilegalmente, além de punições para divulgação, captação de apostadores e facilitação financeira. Essas penas, porém, ainda dependem da aprovação do projeto pelo Congresso Nacional.

Uma decisão que promete provocar grande debate

A proibição representa uma das maiores mudanças já realizadas no mercado de apostas brasileiro. Em poucos anos, as bets saíram de um setor em expansão, presente nas camisas dos principais clubes, nos intervalos comerciais e nas redes sociais, para uma atividade proibida no país.

A decisão certamente encontrará resistência de empresas e de setores que dependiam financeiramente dos patrocínios. Ao mesmo tempo, atende a uma crescente preocupação com o avanço da dependência em jogos e com o dinheiro das famílias brasileiras sendo consumido pelas plataformas.

Para milhares de famílias que viram salários, economias e até relações familiares desaparecerem na esperança de um prêmio que muitas vezes nunca chegou, o fim das bets poderá representar muito mais do que o encerramento de um mercado: poderá significar o fechamento de uma porta que transformou diversão em vício e esperança em dívida.

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Está na hora de, finalmente, a casa perder

 



Dados inéditos revelados pelo dossiê “A Saúde dos Brasileiros em Jogo” elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a Umane, uma associação civil que auxilia iniciativas voltadas à promoção da saúde, e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental mostrou que os danos associados às apostas e aos jogos de azar no Brasil geram um custo social anual de R$ 38,8 bilhões.  

Desse montante, a fatia mais trágica envolve a vida humana: R$ 17 bilhões são custos relacionados a mortes adicionais por suicídio, e R$ 10,4 bilhões referem-se à perda de qualidade de vida decorrente da depressão. O sistema de saúde é o mais sobrecarregado. Do total do prejuízo social R$ 30,6 bilhões estão diretamente ligados a gastos com saúde. 

 

Elas estão ao nosso redor 

Os dados revelam que a narrativa de prosperidade econômica vendida pelo setor é uma ilusão matemática. Enquanto as empresas de apostas lucram bilhões, a sociedade brasileira vive uma conta impagável de saúde mental, endividamento familiar e precarização do trabalho. 

No intervalo do jogo de futebol do seu time do coração, no feed da sua rede social, na TV, no rádio e até na recomendação do seu influenciador favorito. As “bets” — como ficaram conhecidas as plataformas de apostas esportivas e cassinos online — saturaram o cotidiano brasileiro com uma promessa sedutora de dinheiro fácil, ou como elas costumam propagar: “renda extra”. Mas, por trás do brilho dos anúncios e da euforia dos ganhos momentâneos, esconde-se uma crise de saúde pública e um rombo econômico que o Brasil está apenas começando a contabilizar. 

A conclusão de especialistas é clara: sem a proibição da publicidade e um combate extensivo contra essa indústria, estamos empurrando uma geração inteira para o abismo do vício. 

A principal defesa do setor de apostas sempre foi a arrecadação de impostos e a suposta geração de renda. No entanto, um dossiê elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a Umane, uma associação civil que auxilia iniciativas voltadas à promoção da saúde, e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental, desmantela essa tese. 

Enquanto a sociedade sangra quase R$ 40 bilhões, o retorno para os cofres públicos é irrisório. Dados da Receita Federal apontam que, entre janeiro e setembro de 2025, o setor arrecadou cerca de R$ 6,8 bilhões em impostos. A matemática é cruel: para cada R$ 1 que entra como imposto, a sociedade gasta quase R$ 6 para remediar os danos causados pelo vício. 

O dado mais estarrecedor é para onde esse dinheiro, que já é pouco, vai. O dossiê aponta que apenas 1% é destinado à saúde. Desse valor, 50% vão para o setor de esporte e turismo. 

Há um claro desnivelamento na distribuição do valor arrecadado. 

A “Glamourização” do Vício e o Alvo Infantil  

Se os números econômicos assustam, o impacto cultural e comportamental é ainda mais perverso. A onipresença da publicidade não apenas vende um produto: ela normaliza um comportamento de risco. 

Em entrevista ao Sleeping Giants Brasil, Rebeca Freitas, diretora de relações institucionais do IEPS, é categórica sobre o perigo dessa exposição: “O principal risco é a normalização e glamourização das apostas, especialmente entre jovens, crianças e populações vulneráveis, que podem passar a perceber a aposta como uma prática cotidiana, divertida e até desejável”. 

O cenário é de violação sistemática dos direitos da criança e do adolescente. Embora a lei proíba o acesso de menores de 18 anos, a barreira digital é frágil. A pesquisa TIC Kids Online 2025 revelou que 53% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já viram publicidade de apostas na internet. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, esse número salta para 63%. 

A estratégia de marketing é agressiva e, muitas vezes, predatória. Freitas destaca o fenômeno dos “cassinos online com estética infantilizada”, citando o infame “Jogo do Tigrinho” (Fortune Tiger): “Há conteúdos direcionados a menores de idade, com linguagem e estética adaptadas, como o uso de avatares similares a jogos como Minecraft e Roblox”. 

Esses jogos são promovidos por influenciadores em plataformas como o YouTube, muitas vezes em canais com selo de conteúdo infantil, simulando ganhos exagerados em transmissões ao vivo que são deletadas logo em seguida para dificultar a fiscalização. Para o IEPS, isso configura uma violação direta do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

  

Pelo menos elas estão gerando emprego… Balela! 

Outro argumento frequentemente utilizado pelos defensores das bets é a dinamização da economia e a geração de empregos. Os dados oficiais do governo brasileiro, contudo, contam outra história. 

Segundo o dossiê das bets, obtido por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, o setor de apostas é um deserto de oportunidades de trabalho. Havia apenas 1.144 empregos formais ativos no segmento em todo o país, distribuídos entre apenas 60 empregadores. A média é escrachada: cerca de 19 empregos por empresa. 

 A concentração de renda é brutal. De cada R$ 291 de receita obtida pelas empresas, apenas R$ 1 se transforma em salário. Enquanto isso, a informalidade reina: 84% dos trabalhadores que atuam no setor não contribuem para a previdência — um índice muito superior à média nacional de 36%. 

Enquanto o setor não gera riqueza para o trabalhador, ele drena a renda das famílias. O impacto no orçamento doméstico já é visível no varejo e na subsistência básica. 

Um levantamento mostrou que 13% dos inquilinos já deixaram de pagar ou atrasaram o aluguel por causa de perdas com apostas online. Mais grave ainda: o vício já consome parte do orçamento alimentar das famílias brasileiras e fez com que 34% dos jovens adiassem o sonho de entrar na faculdade. 

  

A Urgência da Proibição da Publicidade  

Diante de um cenário de “epidemia” sanitária e drenagem econômica, a regulação tímida não é suficiente. Especialistas e entidades de saúde como o próprio IEPS defendem que o Brasil siga o caminho adotado para outras indústrias nocivas, como a do tabaco. 

“O modelo de regulação sanitária defendido pelo IEPS prevê a proibição da publicidade das apostas, com base na prevenção e minimização dos estímulos”, afirma Rebeca Freitas. 

Há um aumento considerável em projetos que tentam mitigar o problema das bets. O IEPS identificou 189 Projetos de Lei tramitando na Câmara e no Senado. As propostas variam desde a proibição total de propagandas na TV e redes sociais até o fim dos patrocínios a clubes de futebol e a vedação do uso de influenciadores digitais. 

A inspiração vem de fora. O Reino Unido, que possui um mercado de apostas maduro, trata o problema como uma questão de saúde pública. Lá, existe uma taxa específica (“Statutory Levy”), da qual 50% vão diretamente para o sistema de saúde (NHS). Além disso, o país impõe restrições severas à publicidade e possui um sistema nacional unificado de autoexclusão (“GAMSTOP”), que permite ao usuário bloquear seu acesso a todos os sites de apostas de uma só vez. 

O Brasil anunciou recentemente uma plataforma similar de autoexclusão, fruto de parceria entre os Ministérios da Fazenda e da Saúde. A partir de 10/12, o cidadão poderá excluir todas as contas de casas de apostas de uma só vez, sem acessá-las diretamente, e bloquear publicidades por e-mail, SMS e outros contatos, pelo período que escolher, utilizando apenas seu gov.br. 

Algo precisa ser feito. 

  

Desafios e caminhos propostos 

 O IEPS apresentou uma série de desafios que diversos projetos propõem, desde mecanismos de prevenção e monitoramento até cuidado com jogadores em risco, inspirados em experiências internacionais (como Reino Unido e Austrália) e alinhados ao modelo de regulação sanitária considerado ideal. Entre eles: 

Autoexclusão nacional unificada 

Um sistema em que o usuário pode se cadastrar para bloquear o acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas, com validade nacional.  

Alertas de comportamento de risco 

Ferramentas nas plataformas que identifiquem sinais de uso compulsivo e alertem os usuários, sugerindo pausa ou busca de apoio.  

Mensagens obrigatórias de advertência 

Exibição de avisos de risco e de canais de ajuda durante as apostas ou em publicidades. 

Acesso facilitado a atendimento no SUS 

Ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para receber apostadores problemáticos, com protocolos clínicos específicos.  

Limites voluntários de tempo e gasto  

Jogadores poderão definir limites de uso e valores máximos por sessão, e as plataformas deverão respeitar esses parâmetros. 

O Brasil vive um momento decisivo. Ou reconhece que as apostas online são um produto nocivo que exige controle rigoroso, ou continuará assistindo passivamente. 

 à transferência de renda das famílias mais pobres para conglomerados internacionais, ao custo da saúde mental da população. Como resume o dossiê do IEPS: “Sem atacar as raízes, as medidas compensatórias terão impacto limitado diante da crescente normalização das apostas na cultura digital brasileira”.  

A casa precisa perder desta vez. A vida dos brasileiros não pode estar nas mãos de dados viciados ou cartas marcadas. O SGBR vê a necessidade do fim das propagandas desses cassinos — e mais. Não basta fazê-los pagar mais daqui para frente: é necessário correr atrás do prejuízo e criar mecanismos, através da saúde pública, para ajudar aqueles que já foram afetados.  

sábado, 12 de setembro de 2026

ROMERO LEAL: DE VERTENTES PARA PERNAMBUCO, UMA HISTÓRIA DE LEALDADE, EXPERIÊNCIA E CORAGEM POLÍTICA




Existem homens públicos que simplesmente passam pela política. E existem aqueles que constroem relações, deixam marcas e permanecem presentes nos grandes momentos da história.

Romero Leal é um desses nomes.

Delegado aposentado da Polícia Civil de Pernambuco e prefeito de Vertentes por quatro mandatos, Romero construiu uma trajetória marcada pela presença na vida pública e por uma forte ligação com sua terra.

Mas existe também um capítulo de sua história política que ajuda a compreender sua relação com a atual governadora de Pernambuco, Raquel Lyra.

Muito antes da eleição de 2022 entrar em sua fase decisiva, Romero Leal já havia tornado público seu apoio ao projeto político de Raquel. Em novembro de 2021, quando a sucessão estadual ainda estava começando a ganhar forma, Romero declarou que estaria ao lado dela em sua pré-candidatura ao Governo de Pernambuco.

Não foi um apoio surgido depois de uma vitória.
Não foi uma aproximação construída quando o resultado já estava definido.

Foi uma escolha feita antecipadamente, quando a caminhada ainda estava começando.

Durante a campanha de 2022, Romero permaneceu ao lado de Raquel. Em agosto daquele ano, ela esteve em Vertentes, onde foi recebida por Romero, vereadores e outras lideranças políticas. Naquele momento, Romero voltou a defender publicamente a capacidade administrativa da então candidata.

Meses depois, Pernambuco conheceria o resultado daquela caminhada: Raquel Lyra seria eleita governadora do Estado.

Essa história ajuda a explicar a proximidade política construída entre Romero e Raquel ao longo dos anos — uma relação que nasceu antes da vitória nas urnas e foi consolidada durante uma das disputas eleitorais mais importantes da história recente de Pernambuco.

Agora, em 2026, Romero Leal vive outro momento de sua própria trajetória.

Depois de quatro mandatos administrando Vertentes, seu nome passa a buscar uma dimensão estadual, com presença política e articulações que ultrapassam os limites do município.

Vertentes permanece como sua principal referência, enquanto sua caminhada alcança municípios como Toritama e outros pontos do Agreste, além de buscar ampliar sua presença política em diferentes regiões de Pernambuco.

É a continuidade da trajetória de um delegado, gestor público e liderança política que atravessou diferentes momentos da história pernambucana.

De Vertentes para o Agreste.
Do Agreste para Pernambuco.

E nessa caminhada existe um capítulo que não pode ser esquecido:

Romero acreditou no projeto de Raquel Lyra quando a disputa pelo Governo de Pernambuco ainda estava apenas começando.

Uma relação política construída antes da vitória e fortalecida ao longo do tempo.

Augusto Cury cresce e tem chances de ir para o segundo turno

 


A candidatura de Augusto Cury à Presidência da República passou a chamar atenção no cenário eleitoral de 2026. Conhecido nacionalmente como escritor, médico psiquiatra e palestrante, Cury disputa uma eleição pela primeira vez e tem procurado construir sua candidatura com um discurso de redução da polarização e maior atenção a temas como educação, saúde e desenvolvimento humano.

No início de setembro, uma pesquisa Datafolha mostrou Cury avançando de 2% para 8% das intenções de voto, chegando ao terceiro lugar e apresentando crescimento especialmente entre eleitores que não se identificam diretamente com os principais polos da disputa. No levantamento mais recente, divulgado em 11 de setembro, ele apareceu com 6%, mostrando uma oscilação em relação à pesquisa anterior, mas permanecendo entre os nomes que buscam ocupar o espaço de alternativa na eleição presidencial.

Candidato pelo Avante, Augusto Cury tem colocado a educação entre as principais áreas de sua campanha. Entre os temas apresentados estão políticas relacionadas às pessoas neurodivergentes, incluindo autismo, TDAH e dislexia. Sua trajetória profissional também é marcada pela atuação como escritor, professor, conferencista e médico psiquiatra.

Outro ponto recorrente de sua campanha é a crítica à polarização política. Desde o primeiro ato oficial da candidatura, Cury tem defendido diálogo, escuta da população e discussão de propostas para áreas como educação, saúde e segurança pública.

O crescimento registrado nas pesquisas colocou Augusto Cury sob maior atenção nacional e aumentou a exposição de suas ideias. Agora, caberá ao eleitor conhecer suas propostas, compará-las às dos demais candidatos e decidir qual projeto considera mais adequado para o futuro do Brasil.


Datafolha em PE: Raquel Lyra, 47%; João Campos, 42%

 





Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) com as intenções de voto para o governo de Pernambuco mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) com 47% das intenções de voto. Em seguida vem o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), com 42% das intenções de voto.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos. A última pesquisa Datafolha foi divulgada em 21 de agosto.


A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. Foram entrevistadas 1.204 pessoas entre os dias 8 e 10 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é PE-04411/2026.

Veja os números na disputa do primeiro turno das eleições de 2026 para o governo de Pernambuco:

Estimulada

  • Raquel Lyra (PSD): 47% (eram 47% em 21 de agosto);
  • João Campos (PSB): 42% (eram 40%);
  • Ivan Moraes (PSOL): 1% (era 1%);
  • Professora Camila (UP): 1% (era 1%);
  • Renan Hallais (Missão): 1% (era 1%);
  • Guilherme Fonseca (PSTU): 0% (era 1%);
  • Victor Assis (PCO): 0% (era 0%);
  • Professor Jeremias do Banco (Democrata): 0% (era 0%);
  • Branco/nulo/nenhum: 6% (eram 5%);
  • Indecisos: 2% (eram 4%).






DETRAN: O CALO DE RAQUEL LYRA?

  Demora para tirar a CNH, escassez de vagas, dificuldades no atendimento e concentração de ações no Recife aumentam desgaste do órgão e pod...