
Por : Roberto Celestino

Vivemos
numa era em que os aparelhos eletrônicos como os tablets,
smartphones e outros do gênero, passaram a ser um membro integrante
do corpo humano, pois estes não podem mais serem dissociados de seus
usuários, pois, se vamos ao banheiro o levamos junto, à cama, ele
vai conosco, à igreja, certamente lá estará, ou seja, em qualquer
lugar e a qualquer tempo ele estará grudado a nós.
Há
quem prefira amputar um braço que seu smartphone, pois, este membro
agregado parece ter importância superior a todos os outros. Toda a
atenção é dada pra ele. Aliás, ele tornou-se o membro mais
importante da família também, e, tomou até o lugar do melhor
amigo.

Observem
um recreio escolar, pessoas em um ponto de ônibus, a sua sala de
estar, ninguém conversa, ninguém brinca, ninguém olha para o
outro. Toda atenção é dada para ele, o bendito aparelho.
Na
semana passada tive a oportunidade de voltar no tempo, houve um
apagão de mais ou menos quatro horas em nossa cidade, e, nesse
período de tempo percebi coisas estranhas acontecendo.
Ouvi
um barulho na rua em que moro e, curioso saí para ver do que se
tratava. Fiquei pasmo. Havia vizinhos conversando em frente às
casas, pessoas davam risadas, tinha crianças na minha rua e elas
gritavam uma para as outras.
No
outro dia, ouvi pessoas relatarem que até leram algo para passar o
tempo, imaginem, pessoas lendo à pouca luz.
No
interior das casas, as pessoas começaram a interagir, crianças
brincavam com a luz das velas, faziam formas com sombra, saíram para
olharem a rua também.
A
dona de casa tratou de preparar a janta mais cedo, e acreditem, juro
que não é mentira, os membros da família jantaram todos à mesa.
E
algo mais espantoso ainda aconteceu. Depois da janta, todos na sala
em volta de uma luz fosca de um toco de vela, filhos escutavam
atentos seus pais conversarem.
Por
algumas horas, a cidade reviveu na escuridão, logo após o
restabelecimento da energia elétrica, os zumbis acordaram. As
pessoas entraram para suas casas, as portas se fecharam, as
brincadeiras perderam a graça, a conversa acabou, e a luz trouxe a
escuridão para os relacionamentos.
Mas,
ainda há uma esperança, quem sabe em breve teremos outro apagão
que nos reviva.
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